Re: [Cmi-vitoria] texto - resistÊncia indígena vs. aracruz

carlos calenti carloscalenti em yahoo.com.br
Segunda Outubro 10 11:36:39 PDT 2005


Gostei muito do texto. 
Tá lindo! :-)
 
Acho que a parte que eu destaquei no texto, lá embaixo, poderia vir num box, na hora de diagramar - só uma idéia. 
 
bjos e abs,
Carlos

aneleh <aneleh em riseup.net> escreveu:
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Hash: SHA1

Oi gente,
vou colar aqui o que eu escrevi...mexam no que quiserem...
falta um titulo...
bjos
aneleh

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No dia 6 de outubro, quinta-feira, cerca de 300 índios/as Tupinikins e
Guaranis ocuparam as 3 fábricas da empresa multinacional Aracruz
Celulose S/A, em Aracruz, norte do ES. O setor administrativo também foi
paralizado. A desocupação somente aconteceu na sexta-feira, com a
chegada do presidente da FUNAI, Mércio Pereira Gomes (condição imposta
pelas comunidades indígenas para desocuparem as fábricas) para se reunir
com uma comissão formada por índios/as no Ministério Público, em
Vitória. Em apoio à justa causa indígena um ônibus com estudantes
universitários/as, dentre eles 10 noruegueses/as, entidades sociais e
dos direitos humanos, saiu de Vitória rumo à manifestação.O motivo do
ato foi para pressionar e cobrar uma resposta concreta de como e quando
se resolverá a demarcação e a homologação de 11 mil hectares. A área faz
parte dos 18 mil hectares reconhecidos pela FUNAI através de laudos
antropológicos desde 1998. Desse montante, 7 mil hectares foram devolvidos.
É importante ressaltar que a devolução das terras não foi feito como um
?ato generoso? ou de reconhecimento da causa indígena pela empresa
Aracruz Celulose. Em maio, cansados de esperar uma postura do Ministério
da Justiça quanto suas terras, as comunidades indígenas, totalizando 500
índios/as, auto-demarcaram , durante cinco dias de trabalho intenso os
11 mil hectares que agora esperam o reconhecimento oficial. Os/as
Tupinikins e Guaranis enfrentaram uma liminar, requerida pela Aracruz na
época,e concedida pela Justiça Federal, que acionou a Polícia Federal
para, se necessário através da força, parar a auto-demarcação. Como
resposta, os/as índios/as aceleraram o trabalho reafirmando a todo o
momento que nada iria impedir o processo. Diante da firmeza dos povos
indígenas, a polícia federal teve que recuar. Desde então, os caciques
se mantêm em estado de alerta, porque a Empresa com apoio do PF e o
governo, tem colocado policiais à paisana para vigiarem as movimentações
das comunidades, além de ameaças e perseguições à membros das aldeias.
Estima-se que 40 mil hectares de terras indígenas foram ocupadas com a
chegada da Empresa ao estado capixaba na década de 60. No lugar das
fábricas da Aracruz Celulose encontrava-se a Aldeia Tupinikim de
Macacos, habitada por famílias indígenas com seus plantios e cercada por
rios e mata atlântica. A partir daí, a vida dos/as índios/as ficou
comprometida. Os poluentes e toxinas lançados pelas chaminés das
fábricas têm provocado doenças respiratórias. O plantio do eucalipto
culminou na mudança do curso e poluição de rios, no fim da
biodiversidade, no empobrecimento do solo, na extinção de animais. Todos
esses fatores tem dificultado a prática da pesca e da caça, obrigando
os/as índios/as a comprarem água e comida para o sustento das
comunidades e a lutarem pela preservação de áreas com vegetação nativa e
animais que resistem no norte do estado.
A produção de celulose de eucalípto é uma consequência do consumismo
desenfreado dos países do do primeiro mundo. Enquanto nos EUA se
consomem 350 kg de papel por pessoa por ano, no Brasil, um dos maiores
produtores, o consumo é de 50 kg. Dessa forma, 97% da celulose
branqueada é exportada para produzir, quase exclusivamente, papel
descartável para os países desenvolvidos. A coroa da Noruega, juntamente
com o Grupo Safra, são os maiores acionistas da Aracruz, 28% cada. A
Noruega foi recentemente considerada o país com a melhor qualidade de
vida e a melhor distribuição de renda do mundo. Indústrias poluentes lá
praticamente não existem.No entanto, enquanto tentam passar a imagem de
?defensores do meio ambiente?, exploram a monocultura do eucalípto no
Espírito Santo, trazendo as índustrias poluentes para os países em
desenvolvimento, com apenas um único interesse: o lucro.
IMPRENSA LOCAL SE POSICIONA A FAVOR DA ARACRUZ CELULOSE
A Aracruz Celulose, diante dos fatos, reagiu de forma inverídica,
através da nota à imprensa , afirmando que os/as indígenas teriam
derrubado portões, invadido as instalações e agredido a propriedade
privada da empresa, além de terem coagido os/as funcionários/as.
Todavia, foram crianças e idosos, homens e mulheres indígenas que
fizeram um movimento pacífico e alegre, mas muito firme no seu objetivo:
a demarcação imediata das suas terras.
No jornal A GAZETA do dia 08/10, o jornalista Uchôa de Mendonça publicou
em seu artigo, a respeito da ocupação indígena o seguinte: ?a invasão da
Aracruz Celulose se constitui num abuso,numa tremenda falta de
autoridade, num escárnio que temos que repelir com energia". Isso porque
?a empresa é a maior produtora e exportadora de celulose do mundo.
Trabalha com produto
renovável, emprega milhares de pessoas e é [sic]o maior faturamento em
dólares do Brasil?. Sobre os/as índios/as ainda afirma "Sou pelo
aculturamento definitivo dessa gente, que infelizmente, serve para massa
de manobra, nas mãos de espertos das mais variadas procedências, que nos
envergonham, que nos humilham diante das nações civilizadas, que ficam
reticentes em investir
no desenvolvimento nacional."
Vergonha é defender um desenvolvimento econômico que so serve para
?engordar? as contas bancárias dos grandes empresários em detrimento da
exploração de trabalhadores/as, da destruição do meio ambiente e ser a
favor da aculturamento dos povos indígenas que com muita resistência
insistem em resgatar a língua materna, a cultura e os costumes, em
recuperar parte das suas terras indispensável para a sobrevivencia
física e cultural desses povos.A luta indígena não pode ser vista apenas
como uma luta pela terra. Ela é, antes de tudo, uma luta pela vida.

Gutman Uchôa de Mendonça-> fecomes.vix em zaz.com.br
A Gazeta-> carta em redegazeta.com.br
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