[Cmi-vitoria] Matéria sobre a CAUSA INDÍGENA - URGENTE!
aneleh
aneleh em riseup.net
Sexta Outubro 14 06:24:24 PDT 2005
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muito estranho vc nao abrir os textos que estavam no cd, pois eu testei
aqui em casa...mas tranquilo.
Juliherme wrote:
> Saluton!
>
> Pessoal, desculpe o atraso, pois tive que resolver
> vários problemas...
>
> Depois de alguns problemas com o CD que a Aneleh me
> emprestou, consegui achar uma cópia do texto no meu
> e-mail... daí, à partir do texto montado pela Aneleh,
> eu revisei e acrescentei algumas informações, sendo
> que, não tive muito tempo para isso, isto é, à partir
> do esqueleto do texto não tive muito tempo para ficar
> manipulando parágrafos e reescrevendo outros... o que
> fiz, novamente, foi meramente revisar e acrescentar
> algumas informações, além de ir modelando a estética
> do texto.
>
> O masculino/feminino do texto foi mantido(a).
> (esqueci o nome disso)
>
> A matéria vai no final do e-mail e uma cópia em anexo
> (arquivo em texto puro, ASCII, pois editei no VI no
> Linux... he he he).
>
> Agora, o Aglison fica com a editoração...
> Quando estiver pronto, contacte-nos para encaminharmos
> para a impressão e reprodução.
>
> Sábado tem reunião às 14:00hs em frente à Cidadania
> Digital na UFES. Lá iremos distribuir o material que
> será colado nos pontos de ônibus dos nossos
> respectivos bairros de nossas residências.
>
> Abraços a todos.
>
> Ass.: Juliherme
>
>
>
> POVOS INDÍGENAS DO MUNICÍPIO DE ARACRUZ LUTAM CONTRA
> PRATICADAS PELA EMPRESA ARACRUZ CELULOSE
>
> No dia 6 de outubro, quinta-feira, cerca de 300
> índios(as) Tupinikins e Guaranis ocuparam as 3
> fábricas e o setor administrativo da empresa
> multinacional Aracruz Celulose S/A, no município de
> Aracruz, localizado ao norte do estado do Espírito
> Santo. A desocupação somente aconteceu na sexta-feira,
> com a chegada do presidente da FUNAI, Mércio Pereira
> Gomes, sendo esta a condição imposta pelas comunidades
> indígenas para desocuparem as fábricas, pois os(as)
> indígenas pretendiam se reunir com uma comissão
> formada por índios(as) no Ministério Público, em
> Vitória, capital do estado do Espírito Santo.
>
> Em apoio à justa causa indígena, um ônibus com
> estudantes universitários(as), dentre eles 11
> noruegueses(as) e 01 suéca, entidades sociais e
> representantes dos direitos humanos, saiu de Vitória
> rumo à manifestação, ao passo que, estudantes da UFES
> - Universidade Federal do Espírito Santo, tem
> realizado brigadas em solidariedade aos povos
> indígenas do município de Aracruz, juntamente com
> reuniões e seminários para discussão de problemas
> causados aos indígenas pela Aracruz Celulose.
>
> O motivo do ato organizado pelos indígenas foi o de
> pressionar e cobrar uma resposta concreta de como e
> quando se resolverá a demarcação e a homologação de 11
> mil hectares, pois a área faz parte dos 18 mil
> hectares reconhecidos pela FUNAI através de laudos
> antropológicos desde 1998, sendo que, desse montante,
> 7 mil hectares foram devolvidos.
>
> É importante ressaltar que a devolução das terras não
> foi feito como um "ato generoso" ou de reconhecimento
> da causa indígena pela empresa Aracruz Celulose. Em
> maio, cansados de esperar uma postura do Ministério da
> Justiça quanto a suas terras, as comunidades
> indígenas, totalizando 500 índios(as),
> auto-demarcaram, durante cinco dias de trabalho
> intenso, os 11 mil hectares que agora esperam o
> reconhecimento oficial.
>
> Durante o processo de auto-demarcação, os(as)
> Tupinikins e Guaranis enfrentaram uma liminar,
> requerida pela empresa Aracruz Celulose na época e
> concedida pela Justiça Federal, que acionou a Polícia
> Federal para, se necessário através da força, parar a
> auto-demarcação. Como resposta, os(as) índios(as)
> aceleraram o trabalho reafirmando a todo o momento que
> nada iria impedir o processo. Diante da firmeza dos
> povos indígenas, a polícia federal teve que recuar.
> Desde então, os caciques se mantêm em estado de
> alerta, porque a empresa com apoio da Polícia Federal
> e do Governo Federal e Estadual, tem colocado
> policiais à paisana para vigiarem as movimentações das
> comunidades, além de ameaças e perseguições à membros
> das aldeias.
>
> Estima-se que 40 mil hectares de terras indígenas
> foram ocupadas com a chegada da empresa ao estado
> capixaba na década de 60. No lugar das fábricas da
> Aracruz Celulose encontrava-se a Aldeia Tupinikim de
> Macacos, habitada por famílias indígenas com seus
> plantios e cercada por rios e mata atlântica. A partir
> daí, a vida dos(as) índios(as) ficou comprometida. Os
> poluentes e toxinas lançados pelas chaminés das
> fábricas, juntamente com os agrotóxicos aplicados à
> monocultura do eucalipto têm provocado doenças
> respiratórias e degenerativas aos povos indígenas da
> região. O plantio do eucalipto culminou na mudança do
> curso e poluição de rios, no fim da biodiversidade, no
> empobrecimento do solo e na extinção de animais.
>
> Todos esses fatores tem dificultado a prática da pesca
> e da caça, obrigando os(as) índios(as) a comprarem
> água e comida para o sustento das comunidades e a
> lutarem pela preservação de áreas com vegetação nativa
> e animais que ainda resistem no norte do estado.
>
> A produção de celulose de eucalípto é uma consequência
> do consumismo desenfreado dos países do primeiro
> mundo. Enquanto nos EUA se consomem 350kg de papel por
> pessoa por ano, no Brasil, um dos maiores produtores,
> o consumo é de 50kg. Dessa forma, 97% da celulose
> branqueada é exportada para produzir, quase
> exclusivamente, papel descartável para os países
> desenvolvidos. A coroa da Noruega, juntamente com o
> Grupo Safra, são os maiores acionistas da Aracruz, 28%
> cada. A Noruega foi recentemente considerada o país
> com a melhor qualidade de vida e a melhor distribuição
> de renda do mundo. Indústrias poluentes lá
> praticamente não existem. No entanto, enquanto tentam
> passar a imagem de "defensores do meio ambiente",
> exploram a monocultura do eucalípto no estado do
> Espírito Santo, trazendo as industrias poluentes para
> os países em desenvolvimento, com apenas um único
> interesse: o lucro.
>
> IMPRENSA LOCAL SE POSICIONA A FAVOR DA ARACRUZ
> CELULOSE
>
> A Aracruz Celulose, diante dos fatos, reagiu de forma
> inverídica, através da nota à imprensa, afirmando que
> os indígenas teriam derrubado portões, invadido as
> instalações e agredido a propriedade privada da
> empresa, além de terem coagido os(as) seus(uas)
> funcionários(as). Todavia, foram crianças e idosos,
> homens e mulheres indígenas que fizeram um movimento
> pacífico, mas muito firme no seu objetivo: a
> demarcação imediata das suas terras.
>
> No jornal A GAZETA do dia 08/10, o colunista Uchôa de
> Mendonça publicou em seu artigo, a respeito da
> ocupação indígena o seguinte: "a invasão da Aracruz
> Celulose se constitui num abuso, numa tremenda falta
> de autoridade, num escárnio que temos que repelir com
> energia". Isso porque "a empresa é a maior produtora e
> exportadora de celulose do mundo. Trabalha com produto
> renovável, emprega milhares de pessoas e é o maior
> faturamento em dólares do Brasil". Sobre os(as)
> índios(as) ainda afirma "Sou pelo aculturamento
> definitivo dessa gente, que infelizmente, serve para
> massa de manobra, nas mãos de espertos das mais
> variadas procedências, que nos envergonham, que nos
> humilham diante das nações civilizadas, que ficam
> reticentes em investir no desenvolvimento nacional."
>
> Vergonha é defender um desenvolvimento econômico que
> só serve para "engordar" as contas bancárias dos
> grandes empresários em detrimento da exploração de
> trabalhadores(as), da destruição do meio ambiente e
> ser a favor da aculturamento dos povos indígenas que
> com muita resistência insistem em resgatar a língua
> materna, a cultura e os costumes, em recuperar parte
> das suas terras indispensáveis para a sobrevivência
> física e cultural desses povos. A luta indígena não
> pode ser vista apenas como uma luta pela terra. Ela é,
> antes de tudo, uma luta pela vida.
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