[Cmi-vitoria] Matéria sobre a CAUSA INDÍGENA - URGENTE!

Juliherme juliherme em yahoo.com
Sexta Outubro 14 06:02:16 PDT 2005


Saluton!

Pessoal, desculpe o atraso, pois tive que resolver
vários problemas...

Depois de alguns problemas com o CD que a Aneleh me
emprestou, consegui achar uma cópia do texto no meu
e-mail... daí, à partir do texto montado pela Aneleh,
eu  revisei e acrescentei algumas informações, sendo
que, não tive muito tempo para isso, isto é, à partir
do esqueleto do texto não tive muito tempo para ficar
manipulando parágrafos e reescrevendo outros... o que
fiz, novamente, foi meramente revisar e acrescentar
algumas informações, além de ir modelando a estética
do texto.

O masculino/feminino do texto foi mantido(a).
(esqueci o nome disso)

A matéria vai no final do e-mail e uma cópia em anexo
(arquivo em texto puro, ASCII, pois editei no VI no
Linux... he he he).

Agora, o Aglison fica com a editoração...
Quando estiver pronto, contacte-nos para encaminharmos
para a impressão e reprodução.

Sábado tem reunião às 14:00hs em frente à Cidadania
Digital na UFES. Lá iremos distribuir o material que
será colado nos pontos de ônibus dos nossos
respectivos bairros de nossas residências.

Abraços a todos.

Ass.: Juliherme



POVOS INDÍGENAS DO MUNICÍPIO DE ARACRUZ LUTAM CONTRA 
PRATICADAS PELA EMPRESA ARACRUZ CELULOSE

No dia 6 de outubro, quinta-feira, cerca de 300
índios(as) Tupinikins e Guaranis ocuparam as 3
fábricas e o setor administrativo da empresa
multinacional Aracruz Celulose S/A, no município de
Aracruz, localizado ao norte do estado do Espírito
Santo. A desocupação somente aconteceu na sexta-feira,
com a chegada do presidente da FUNAI, Mércio Pereira
Gomes, sendo esta a condição imposta pelas comunidades
indígenas para desocuparem as fábricas, pois os(as)
indígenas pretendiam se reunir com uma comissão
formada por índios(as) no Ministério Público, em
Vitória, capital do estado do Espírito Santo.

Em apoio à justa causa indígena, um ônibus com
estudantes universitários(as), dentre eles 11
noruegueses(as) e 01 suéca, entidades sociais e
representantes dos direitos humanos, saiu de Vitória
rumo à manifestação, ao passo que, estudantes da UFES
- Universidade Federal do Espírito Santo, tem
realizado brigadas em solidariedade aos povos
indígenas do município de Aracruz, juntamente com
reuniões e seminários para discussão de problemas
causados aos indígenas pela Aracruz Celulose.

O motivo do ato organizado pelos indígenas foi o de
pressionar e cobrar uma resposta concreta de como e
quando se resolverá a demarcação e a homologação de 11
mil hectares, pois a área faz parte dos 18 mil
hectares reconhecidos pela FUNAI através de laudos
antropológicos desde 1998, sendo que, desse montante,
7 mil hectares foram devolvidos.

É importante ressaltar que a devolução das terras não
foi feito como um "ato generoso" ou de reconhecimento
da causa indígena pela empresa Aracruz Celulose. Em
maio, cansados de esperar uma postura do Ministério da
Justiça quanto a suas terras, as comunidades
indígenas, totalizando 500 índios(as),
auto-demarcaram, durante cinco dias de trabalho
intenso, os 11 mil hectares que agora esperam o
reconhecimento oficial.

Durante o processo de auto-demarcação, os(as)
Tupinikins e Guaranis enfrentaram uma liminar,
requerida pela empresa Aracruz Celulose na época e
concedida pela Justiça Federal, que acionou a Polícia
Federal para, se necessário através da força, parar a
auto-demarcação. Como resposta, os(as) índios(as)
aceleraram o trabalho reafirmando a todo o momento que
nada iria impedir o processo. Diante da firmeza dos
povos indígenas, a polícia federal teve que recuar.
Desde então, os caciques se mantêm em estado de
alerta, porque a empresa com apoio da Polícia Federal
e do Governo Federal e Estadual, tem colocado
policiais à paisana para vigiarem as movimentações das
comunidades, além de ameaças e perseguições à membros
das aldeias.

Estima-se que 40 mil hectares de terras indígenas
foram ocupadas com a chegada da empresa ao estado
capixaba na década de 60. No lugar das fábricas da
Aracruz Celulose encontrava-se a Aldeia Tupinikim de
Macacos, habitada por famílias indígenas com seus
plantios e cercada por rios e mata atlântica. A partir
daí, a vida dos(as) índios(as) ficou comprometida. Os
poluentes e toxinas lançados pelas chaminés das
fábricas, juntamente com os agrotóxicos aplicados à
monocultura do eucalipto têm provocado doenças
respiratórias e degenerativas aos povos indígenas da
região. O plantio do eucalipto culminou na mudança do
curso e poluição de rios, no fim da biodiversidade, no
empobrecimento do solo e na extinção de animais.

Todos esses fatores tem dificultado a prática da pesca
e da caça, obrigando os(as) índios(as) a comprarem
água e comida para o sustento das comunidades e a
lutarem pela preservação de áreas com vegetação nativa
e animais que ainda resistem no norte do estado.

A produção de celulose de eucalípto é uma consequência
do consumismo desenfreado dos países do primeiro
mundo. Enquanto nos EUA se consomem 350kg de papel por
pessoa por ano, no Brasil, um dos maiores produtores,
o consumo é de 50kg. Dessa forma, 97% da celulose
branqueada é exportada para produzir, quase
exclusivamente, papel descartável para os países
desenvolvidos. A coroa da Noruega, juntamente com o
Grupo Safra, são os maiores acionistas da Aracruz, 28%
cada. A Noruega foi recentemente considerada o país
com a melhor qualidade de vida e a melhor distribuição
de renda do mundo. Indústrias poluentes lá
praticamente não existem. No entanto, enquanto tentam
passar a imagem de "defensores do meio ambiente",
exploram a monocultura do eucalípto no estado do
Espírito Santo, trazendo as industrias poluentes para
os países em desenvolvimento, com apenas um único
interesse: o lucro.

IMPRENSA LOCAL SE POSICIONA A FAVOR DA ARACRUZ
CELULOSE

A Aracruz Celulose, diante dos fatos, reagiu de forma
inverídica, através da nota à imprensa, afirmando que
os indígenas teriam derrubado portões, invadido as
instalações e agredido a propriedade privada da
empresa, além de terem coagido os(as) seus(uas)
funcionários(as). Todavia, foram crianças e idosos,
homens e mulheres indígenas que fizeram um movimento
pacífico, mas muito firme no seu objetivo: a
demarcação imediata das suas terras.

No jornal A GAZETA do dia 08/10, o colunista Uchôa de
Mendonça publicou em seu artigo, a respeito da
ocupação indígena o seguinte: "a invasão da Aracruz
Celulose se constitui num abuso, numa tremenda falta
de autoridade, num escárnio que temos que repelir com
energia". Isso porque "a empresa é a maior produtora e
exportadora de celulose do mundo. Trabalha com produto
renovável, emprega milhares de pessoas e é o maior
faturamento em dólares do Brasil". Sobre os(as)
índios(as) ainda afirma "Sou pelo aculturamento
definitivo dessa gente, que infelizmente, serve para
massa de manobra, nas mãos de espertos das mais
variadas procedências, que nos envergonham, que nos
humilham diante das nações civilizadas, que ficam
reticentes em investir no desenvolvimento nacional."

Vergonha é defender um desenvolvimento econômico que
só serve para "engordar" as contas bancárias dos
grandes empresários em detrimento da exploração de
trabalhadores(as), da destruição do meio ambiente e
ser a favor da aculturamento dos povos indígenas que
com muita resistência insistem em resgatar a língua
materna, a cultura e os costumes, em recuperar parte
das suas terras indispensáveis para a sobrevivência
física e cultural desses povos. A luta indígena não
pode ser vista apenas como uma luta pela terra. Ela é,
antes de tudo, uma luta pela vida.


	



	
		
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