[Cmi-vitoria] Re: Jornal século Diário-CMI
aneleh
aneleh em riseup.net
Terça Outubro 18 20:26:00 PDT 2005
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Oi gente,
to mandando pra lista a entrevista que acabei de responder, nao revisei,
pq ja esta tarde...quem quiser mudar, mexer, alterar, acrescentar, fique
a vontade....mas quero mandar essa entrevista amanha memso...quem puder
enviar os impressos pra lista ou pra mim, eu agradeço, assim poderei
anexar a entrevista, como soliticado pela Felicia.
beijos
aneleh
Felicia wrote:
> Olá Aneleh.
> Sou repórter do Caderno Atrações no jornal on line Século Diário
> (www.seculodiario.com.br), de Vitória. Estou fazendo uma matéria sobre
> o Coletivo de Mídia Independente que está sendo formado no Estado.
> Conversando com a Kênia, ela me indicou você para falar um pouco mais
> sobre o CMI, tanto o que está surgindo aqui quanto de uma forma mais
> ampla.
>
> - Gostaria que você me falasse um pouco o que é este coletivo e qual a proposta?
R.:Bom, o centro de mídia independente é uma rede internacional de
produtores e produtoras de mídia, que tem como objetivo principal a
democratização da mídia, nao somente o acesso, mas também a produção, a
capacitação de pessoas, grupos, movimentos sociais em geral, para
produzirem a propria noticia, artigo, coberturas, relatos, etc...Que
poderão ser veiculadas, no site do cmi - www.midiaindependente.org -
onde tem uma parte de publicação aberta, ferramenta esta que qualquer
pessoa pode publicar sua mídia (artigos, audios, videos), mas também
produzirem impressos,audios, videos, a partir das oficinas realizadas
pelo cmi.Dessa forma, o CMI "dá voz a quem nao tem voz", contribui para
que os movimentos sociais, pessoas, grupos, que possui pouca ou nenhuma
visibilidade na midia corporativa, ganhem visibilidade por meios
alternativos, independentes...façam ecoar suas vozes, se sintam
"ouvidos", saindo da passividade de leitores/as, ouvintes,
telespectadores/as e passam a produzir a propria mídia.
O CMI-BRASIL existe ha 5 anos, praticamente. Possui hoje em dia 12
coletivos formados e muitos outros em formação, como é o caso do
cmi-vitória.
Para ser voluntário/a do cmi nao existe condição ou pré-requisito, e sim
vontade de participar, dentro das possibilidades e graus de envolvimento
estabelecido por cada um/a que se envolve. A participação pode ser
indireta, contribuindo na publicação de noticias no site, mas tambem
pode ser direta, se envolvendo com algum coletivo local.
> - Quais as ações que os CMIs desenvolvem?
O CMI-BRASIl, diferente de outros paises que possuem tantos coletivos
quanto a gente, utiliza apenas um site, centraliza as informações,
coberturas, enfim, produzidas pelos coletivos locais e sao publicadas
tanto na parte de publicação aberta, como tambem sao sugeridos
editoriais, que sao as matérias que ficam mais em destaque na coluna do
meio, do site.
Fora isso, cada coletivo local, dentro da sua realidade local, dentro
das suas possibilidades, desenvolve informativos impressos como "O
Independente" do CMI-Floripa; "CMI na Rua", um informativo/jornal
simples normalmente em A3 ou A4, que é produzido por todos os coletivos
formados e em formação. Produz videos e fazem amostras de vídeos, em
avenidas movimentadas, praças públicas, escolas, universidades; áudios
com noticias para serem veiculados nas rádios livres e comunitárias não
comerciais; além de estar sempre em contato com os movimentos sociais
garantindo apoio de alguma forma.
> - Qual a importância desse tipo de mídia em um país como o Brasil?
O Brasil é um país onde os principais meios de comunicação (tvs,
rádios, jornais impressos) se concentram nas maos de uma minoria
domintante. O Estado detem o monopólio das concessões de rádios e tvs,
que quando são concedidas vai para políticos, empresários, ou seja,
discriminam quem esta autorizado a falar e quem esta condenado apenas a
ouvir.Veiculam noticias que apenas (des)informam a população,
manipulando uma realidade que possa garantir a sustentabilidade dessa
minoria no poder.
Dessa forma, qualquer forma de mídia independente quem tem esse
compromisso com a democratização da mídia, seja ela uma rádio livre, uma
tv livre, o CMI, vem subverter essa ordem. Vem para incomodar, provocar,
nao deixar se calar. Mostrar o lado da população insatisfeita, inquieta,
cansada de ser representada sem delegarem essa função a ninguem e a
nenhum orgão, e assim se expressar, se fazer
ouvir.
No Brasil, por ser um pais em desenvolvimento, com problemas sociais e
econômicos que provocam reações na população, fazendo se organizar em
movimentos, como o Movimento dos Sem Terra, Movimento dos Sem Teto entre
outros, além das manifestações, a mídia independente vem garantir a
ressonância das vozes desses movimentos e pessoas,mesmo em baixa
potência, com poucos recursos, mas que talvez nunca teriam a mesma
chance nos meios de comunicação de massa.
> - E em relação mais local, para a Grande Vitória?
Posso falar sobre isso na nossa prática. Em quase 3 semanas de
articulação para a formação do cmi-vitória, ja foram lançados dois
informativos, um sobre a democratização da mídia e o outro sobre a causa
indígena vs. Aracruz Celulose. E sobre esse último, nós nos dedicamos a
produzir uma matéria que nao fosse uma reprodução daquilo que ja tinha
sido veiculado e completamente deturpado pela grande mídia local, que se
posicionou claramente ao lado da multinacional. Garantindo assim, uma
outra visão e versão, de quem participou dos atos e das comunidades
indígenas.
Há muitas coisas acontecendo no nosso Estado que nao é veiculado,
informado pelos principais meios de comunicação, ou quando são, nao é de
uma forma devida, coerente. Se focarmos sobre a Aracruz Celulose, por
exemplo, alem dos índios, ainda possui problemas com os ex trabalhadores
mutilados que nao receberam seus direitos trabalhistas, os quilombolas
que perderam suas terras, o mst que ha pouco tempo havia ocupado uma
fazenda da Empresa.
Contudo, acho que a informação quando transformada em conhecimento
(através da contextualização da realidade da nossa sociedade, de cada um
de nós) pode trazer dois resultados, sendo um emancipatório e o outro
alienante. E com certeza o CMI assim como outras mídias independentes
que possuem objetivos semelhantes, querem provocar um resultado que seja
de emancipação de uma sociedade, que consiga despertar, sobretudo,uma
consciencia a respeito da realidade vivida.
> - Pelo que eu vi no site, existem CMIs em vários países do mundo. Em
> que isso contribui na democratização da comunicação?
Se pensarmos que praticamente os trabalhos que sao desenvolvidos pela
rede brasileira do CMI, sao semelhantes aos dos outros países, acredito
que a contribuição para a democratização da comunicação esta cada vez
mais acessivel, mais abrangente, mais aberta e interligada globalmente.
> - Quais as discussões propostas pela mídia independente?
Os principios que norteam os trabalhos da rede, podem acabar provocando
alguma discussão. Quando o CMI propoe a democratização da comunicação, a
ajudar a construir uma sociedade igualitária, que respeita o meio
ambiente, quando a rede defende uma organização horizontal, ou seja, sem
líderes, autônoma, autogestionária, independente, sem fins lucrativos,
apartidária, copyleft ( que vem a ser a autorização da reprodução dos
artigos sem fins comerciais, desde que seja citada a fonte e o/a
autor/a)que contrapõe a propriedade intelectual, pode provocar reações
nas pessoas a primeira vista, que desconhecem ou nao tem credibilidade
numa organização como a nossa, porque culturamente estao acostumadas a
delegar seus representantes e funções, a vincularem o uso do seu tempo
com o lucro e etc...e claro, aquelas pessoas ou grupos que tem também o
interesse de usar o CMI para se projetarem, a rede nao dá essa abertura.
> - Qual o público que se pretende atingir?
O público mais diverso e plural possível. É claro que enquanto o cmi se
prender ao site, ou seja, depender que as pessoas acessem a internet e
utilizem o site, o publico nao sera tao abrangente, ja que é uma pequena
parcela da sociedade que tem facilidade de acesso(o uso da internet para
publicação de noticias é histórica, quando o CMI foi criado em Seattle,
em 99, para a cobertura das manifestações anti-globalização).
Entretanto, é exatamente nesse ponto que entra os projetos desenvolvidos
pelos coletivos em suas localidades, com impressos, radios livres, que
são meios fáceis de se atingir a população conquistando a confiança, o
apoio e participação para que, quem sabe, esses projetos sejam
apropriados e caminhem sozinhos um dia.
> - Como tem sido o trabalho desenvolvido aqui no Estado? Quem participa?
A formação do pré coletivo cmi-vitória é muito recente, foram realizadas
3 reuniões, somente. Conta com a participação de mulheres e homens
atuantes em diversas profissões, alem de estudantes. O grupo esta bem
fortalecido, empenhado, e ja produziu dois CMIs na Rua, como eu havia
citado, anteriormente, e esta prestes a lançar mais um essa semana,
devido o dia 26 de outubro, que é o dia nacional de luta pelo passe
livre, fora os projetos que estao sendo construidos coletivamente.
Vale ressaltar novamente que, a participação é aberta, qualquer pessoa
pode ser voluntário. As nossas reuniões estão acontecendo todos os
sábados as 14 horas no Centro de Vivencia da UFES , em frente a entrada
da Cidadania Digital.
>
> Se você tiver as duas publicações que foram feitas pelo CMI de
> Vitória, você poderia me passar, por favor?
>
> Desde já agradeço.
> Felicia Borges
>
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