[www-editoriales] [proposta] Comandante brasileiro é encontrado morto. Continuam as mortes na periferia

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Lun Ene 9 16:44:41 PST 2006


[subtitulo]
HAITI

[título]
Comandante brasileiro é encontrado morto. Continuam as mortes na periferia


O comandante da Minustah - Missão de Estabilização das Nações Unidas no
Haiti, Urano Bacellar, foi encontrado morto na manhã de hoje, 7 de
janeiro, em um hotel, em Porto Príncipe, capital do Haiti. Oficiais da ONU
divulgaram a hipótese de Urano ter cometido suicídio. Ele assumiu o cargo
de chefe das tropas da ONU em agosto e nesta semana comandava uma operação
contra opositores do atual regime no bairro periférico Cite Militaire.

De acordo com dados da ONU, a Minustah somou quatro mortes em 2005.
Enquanto isso, segundo dados coletados por grupos e ativistas dos direitos
humanos (e entregues para a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos),
entre 26 de outubro de 2004 e 20 de agosto de 2005, aproximadamente 246
haitianos e haitianas foram mortos/as pela Minustah e pela Polícia
Nacional Haitiana (PNH). A maior parte dos assassinatos foram cometidos em
bairros periféricos onde estão concentrados os opositores do governo
imposto pelos EUA, França e Canadá, e garantido pela ONU sob o comando do
governo brasileiro. O número das mortes pode ter sido muito maior, pois
não há uma contagem confiável da ONU e PNH.

A morte do general deixa dúvidas sobre os desdobramentos do cenário
político no país. Ontem, o Conselho de Segurança da ONU lançou uma nota,
exigindo que as eleições parlamentares sejam realizadas no dia 7 de
fevereiro. Em resposta, o governo do primeiro-ministro Gerard Latortue
afirmou que a culpa do adiamento é da ONU e da OEA, que foram "incapazes
de estabilizar o Haiti." Latortue, imposto após o golpe, foi responsável
pela demissão em massa de milhares de trabalhadores do setor público e,
assim como o ex-presidente Aristide, subserviência às políticas dos
organismos financeiros internacionais. Além disso, os opositores do
governo, simpatizantes ou não de Aristide, taxam as eleições de
ilegítimas, já que enfrentam fortes dificuldades para alistar seus
candidatos preferenciais.






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