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Quarta Dezembro 2 18:00:04 PST 2009
OFICIALIZADA A FARSA ELEITORAL EM PLENA DITADURA MILITAR
No último domingo, 29 de novembro, se realizou a farsa eleitoral em
Honduras. A noite anterior ao dia da eleição foi de tensão, detenções e
terror. Existem relatos de detidos, feridos, e hostilização geral em
Tegucigalpa, Santa Barbara, El Paraiso, San Pedro e outros lugares. Os
locais de votação estiveram todo o tempo com uma forte presença
policial e militar. Além disso, os aeroportos do país estavam sob
controle militar, e fechados para todos os vôos. Pelo menos 38 pessoas
foram detidas no dia das eleições, segundo a Frente de Resistência.
Funcionários públicos foram ameaçãdos de demissão caso não
apresentassem o comprovante de votação e há várias denúncias que homens
à paisana entraram em casas e intimidavam as pessoas para irem votar.
Todas as organizações de direitos humanos presentes no país denunciaram
violações dos direitos humanos, com exceção da de Israel, que disse que
correu tudo bem (o governo golpista tem esgotado os recursos do país
comprando armas de Israel para sustentar o golpe).
A abstenção eleitoral predominou. Menos de 40% da população de Honduras
foi votar, o que demonstra que a população não reconhece essas
eleições, realizadas em uma ditadura militar. A imprensa não conseguiu
registrar imagens das votações na parte da manhã, porque simplesmente
os locais de votação estavam vazios, embora a justificativa tenha sido
de que as urnas estavam atrasadas. Os únicos locais mais cheios eram os
de bairros ricos. O Tribunal Eleitoral de Honduras ainda prolongou por
uma hora o horário de votação para tentar aumentar o número de
votantes.
O resultado dessa farsa deu "vitória" para o candidato Porfírio Lobo do
Partido Nacional, com 19,5% dos votos totais. Porfírio Lobo é um grande
proprietário de terras em Honduras e já foi presidente do Congresso. Na
assinatura do acordo de livre comércio entre Estados Unidos e Honduras
em 2005, Lobo disse que iria manter movimentos sociais e sociedade
civil informada sobre os pontos do acordo, mas manteve as negociações
em segredo. O mesmo aconteceu quando a água em Honduras foi
privatizada: manteve as negociações e a data da privatização em
segredo, impedindo a luta dos movimentos sociais.
No domingo das eleições, membros da Frente de Resistência e da COFADEH
realizaram uma coletiva de imprensa, onde denunciaram as violências
cometidas nos últimos dias, e afirmaram que de nenhuma forma se poderia
esperar um processo eleitoral transparente nessas condições. Afirmaram
ainda que a única solução seria a convocação de uma Assembléia
Constituinte. A estratégia da Frente foi recomendar à população que não
saísse de casa enquanto acontecesse as eleições, para evitar
hostilizações por parte da polícia e militares. No fim do dia das
eleições, a Frente realizou uma caravana em Tegucigalpa que contou com
mais de 300 carros (numa tentativa de evitar repressão), para comemorar
o alto índice de abstenção e reafirmar a continuação da resistência
contra o golpe de Estado.
Leia o comunicado da Frente Contra o Golpe de Estado
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