[www-pt] [traduzir] (espanhol/ingles) ENCHENTE PODE TER SIDO ESTENDIDA PELOS GOVERNOS, AFIRMAM MORADORES DA ZONA LESTE DE SAO PAULO
traducoes em mir.marieta.indymedia.org
traducoes em mir.marieta.indymedia.org
Quarta Dezembro 16 18:00:03 PST 2009
ENCHENTE PODE TER SIDO ESTENDIDA PELOS GOVERNOS, AFIRMAM MORADORES DA ZONA LESTE DE SÃO PAULO
A recente enchente que atingiu a Zona Leste pode ter persistido por
ação intencional de órgãos públicos municipais e estaduais. A suspeita,
gravíssima, é levantada por moradores e moradoras dos bairros atingidos
por uma grande enchente do dia 8 e até recentemente castiga a região. É
possível que uma manobra na engenharia hidráulica dos rios paulistanos
tenha mantido a inundação por muitos dias após a chuva. O motivo para
tão grave crime seria a aceleração dos despejos de residências
localizadas na várzea que serão removidas para a construção do Parque
Várzeas do Tietê, orçado em R$1,7 bilhões e será inaugurado para a Copa
de 2014.
De fato, no dia 14/12, o Prefeito Gilberto Kassab anunciou a
antecipação dos despejos para toda a área, em que vivem mais de 5.000
famílias. Até o momento, no entanto, a "alternativa" oferecida aos/às
moradores/as se limitou ao já conhecido "cheque despejo" de R$5.000 ou
um "bolsa-alguel" de R$ 300 mensais por dois anos, mas sem nenhuma
garantia de reassentamento. Ameaças e tentativas de despejo ilegais já
foram tentadas no Jardim Pantanal, em que tratores só não derrubaram
casas devido à mobilização popular na área.
Leia mais: Engenharia (social) nas barragens do Rio Tietê em São
Paulo
Links: Parque pode despejar mais de 5.000 famílias na zona leste de
São Paulo
Engenharia (social) nas barragens do Rio Tietê em São Paulo
Os principais rios que cortam a cidade de São Paulo, o Pinheiros e o
Tietê, hoje em dia nada mais são do que canais e represas controlados
por uma série de barragens e usinas elevatórias, que teoricamente são
um "sistema fechado" e que poderia ser manipulado "tecnicamente".
Existem barragens em Guarulhos, Penha, Osasco, Santo Amaro e região das
represas, que também cumprem a função regulatória dos níveis do rio.
As últimas enchentes que atingiram a Zona Leste - e seu inusitado
prolongamento - levantaram uma série de suspeitas por parte dos
moradores e moradoras. A chuva do dia 08/12, em que o Rio Tietê
transbordou, atingiu em cheio a popularidade do prefeito Kassab e do
governador Serra. Nos dias que se seguiram, a situação no resto da
cidade se estabilizou, enquanto na Zona Leste, acima da barragem da
Penha, a inundação persistiu. O receio da população é de que mais uma
vez a engenharia hidráulica que rege a "vida" dos rios paulistanos
tenha cumprido um papel nefasto. Desse modo, a manutenção da enchente
naquela parte periférica da cidade garantiria que a água não iria
incomodar as regiões centrais. Além disso, reforçaria o argumento dos
governos de que aquela população é "invasora" de área e deve ser
despejada.
O que pode parecer uma suposição despropositada é na realidade
recorrente na história da ocupação das várzeas em São Paulo e constitui
mecanismo importante para a especulação imobiliária em São Paulo. Em
1929 uma grande enchente atingiu a região do Rio Pinheiros em meio ao
processo de delimitação da área a ser cedida à Cia Light, que
executaria as obras de retificação daquele rio. O trabalho de doutorado
da geógrafa Odette Seabra indica que o nível de chuvas verificado era
incompatível com uma inundação daquele porte, restando como
possibilidade apenas a abertura das barragens das represas, controladas
pela companhia.
No caso da enchente atual, alegou-se falha nas estações de bombeamento;
o lixo também foi culpado. No entanto, indústrias como a Bauducco ou
empresas de mineração continuam assoreando o rio, mas não são
responsabilizadas. A prefeitura, que semanas antes "endurecia" com a
população, afirmando que essa era invasora ilegal, hoje defende o
discurso da desapropriação como se essa fosse uma atitude de
benevolência. E até hoje não elaborou um plano de reassentamento dessas
famílias. Fato é que o Jardim Romano continua embaixo d'agua e as
chuvas da estação prometem só agravar a situação já precária das
famílias.
É também no mínimo intrigante que o complexo sistema de canais e
represas de São Paulo não tenha conseguido absorver o excesso de água
que se acumula na região, seja escoando a água através de maior
abertura da barragem da Penha, aumentando o escoamento "natural" pelo
Rio Tietê ou distribuindo-a pelos outros canais ou represas. Em casos
extremos, de enchentes, é permitido que a água excessiva do Rio Tietê
seja bombeada através do Rio Pinheiros para que seja armazenada nas
represas Billings e Guarapiranga. Por que desta vez o sistema
hidráulico "não funcionou" é uma pergunta que não quer calar.
Link do artigo:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/12/461129.shtml
Mais detalhes sobre a lista de discussão www-pt