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Sexta Novembro 20 18:00:04 PST 2009
ETAPA BAIANA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO
Na etapa baiana da primeira Conferência Nacional de Comunicação (
Confecom), realizada no sábado e domingo, 14 e 15/11, a mesa de
abertura composta, em sua maioria, por representantes do Estado logo
foi vista com desconfiança por parte de militantes de movimentos
sociais que carregam a bandeira de luta pelo direito a comunicação. Um
deles "pensou" bem alto: "essa gente não faz comunicação de jeito
nenhum!", questionava Robson Dy Correa, do Instituto Raíz Cidadã,
referindo-se a falta de representatividade de segmentos da sociedade
que propoem um novo modelo de comunicação para o país.
Como atividade preparatoria para a I Confecom, a conferência da Bahia
tinha por objetivos elaborar propostas e eleger delegados para a Etapa
final, que acontecerá entre os dias 14 e 17 de dezembro em Brasília. O
evento reuniu, segundo a assessoria de comunicação do estado, quase 700
pessoas e muitos dos participantes reclamaram de problemas estruturais
e falta de organização da conferência. Grandes problemas elencados
foram: a localização do evento, no Centro Administrativo da Bahia
(CAB), a capacidade do local era de 400 pessoas e a falta de
acessibilidade para deficientes físicos.
Ainda na mesa de abertura, a primeira fala da mesa ficou a cargo do
jornalista e militante do coletivo Intervozes, Pedro Caribe, que
enfatizou o significado e o marco histórico propiciado pela realização
da etapa baiana da primeira Confecom. Ele destacou a importância da
realização da primeira conferência estadual no país, mas também elencou
os grandes obstáculos ao direito a comunicação na Bahia: construção de
monopólios por meio de concessões de radiodifusão como moeda política,
utilização da assessoria de comunicação do estado para o desvio de
dinheiro público através verbas publicitarias no governo anterior, o
IRDEB como um sistema de radiodifusão que não é verdadeiramente público
e participativo, e a violação constante dos direitos humanos por
programas televisivos locais.
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Na mesma mesa, o governador Jacques Wagner mostrou que e também
simpático aos ideais propostos pelos movimentos sociais afirmando que
liberdade de imprensa não é sinônimo de liberdade de empresas se
apropriarem de concessões públicas de radiodifusão e enfatizou: "a
comunicação não pode estar submetida aqueles que se acham os donos da
informação no país?. Jacques Wagner assumiu ainda o compromisso de
construir um Conselho Estadual de Comunicação por meio da assinatura de
um decreto durante a mesa.
A criação do Conselho Estadual de Comunicação e uma reivindição da
sociedade civil desde a conferência estadual do ano passado, mas o
governo sempre declarou falta de condições tanto economicas quanto
políticas para a sua concretização. Os integrantes da sociedade civil
na platéia aplaudiram a iniciativa do governador, considerando uma
vitória pra toda a sociedade.
Paulo Rogerio, do Instituto de Mídia Étnica colocou bem a perspectiva
dos movimentos populares em torno da conferência ?Nos entendemos que
somente com a apropriação dos meios de comunicação social pela
comunidade e que pode haver transformação social. Não e possível uma
democracia do Brasil se mantivermos essa estrutura com os meios de
comunicação na mão de poucos. o tempo é muito curto, os espaços são um
pouco engessados as disputas políticas atrapalham e há uma diversidade
muito grande de bandeiras e de colorações ideológicas, então nesse
sentido o espaço para o diálogo ainda é pouco. Infelizmente o espaço é
limitado e as demandas são muitas mas a gente acredita que é um
processo pioneiro, um processo histórico que daí nós podemos cumprir
uma platafora política que possa construir uma comunicação que possa
incluir a maioria da população".
Link do artigo:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/11/458890.shtml
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