[www-pt] [traduzir] (espanhol/ingles) HONDURAS RESISTE!
traducoes em mir.marieta.indymedia.org
traducoes em mir.marieta.indymedia.org
Quarta Fevereiro 10 18:00:23 PST 2010
HONDURAS RESISTE!
Ao contrário do que mostra a grande mídia, a situação em
Honduras não foi resolvida com a mudança de governo e nada está de
volta ao normal. A grande mídia quer passar a impressão de que com a
posse de Porfírio Lobo a "democracia" retornou ao país. Escondendo
desde o começo a verdade sobre as fraudulentas eleições presidenciais
que ocorreram em Novembro do ano passado com uma abstenção de votos de
mais de 60% da população. No dia 27 de Janeiro, Porfírio Lobo tomou
posse e no mesmo dia o presidente Zelaya saiu da embaixada brasileira e
do país gracas a um acordo feito com Lobo em que este deu a garantia de
que Zelaya não seria preso. Um dia antes, os membros da Junta de
Comandantes das Forcas Armadas de Honduras, acusados de expulsar Zelaya
do país (no dia do golpe de Estado), foram liberados pelo juiz especial
e presidente da Corte Suprema de Justiça golpista, Jorge Rivera, que
usou como argumento para a sentença que os militares atuaram para
"preservar a democracia".
Cerca de 300.000 pessoas foram ao aeroporto internacional de
Tegucigalpa, e em outros lugares do país centenas de milhares marcharam
em solidariedade a Zelaya e em repúdio a toma de posse de Porfírio
Lobo. A grande mídia escondeu completamente esta notícia, publicando
somente informações sobre a posse de Lobo e chegando ao cúmulo de dizer
que uns "400 ativistas" foram ao aeroporto se despedir de Zelaya.
Também é importante ressaltar que todas as pessoas nomeadas por
Porfírio Lobo para compor o seu novo governo participaram diretamente
do golpe de Estado em 28 de Junho de 2009.
Numa entrevista ao CMI Brasil, Jose Luis Baquedano, um dos
coordenadores da Frente Nacional de Resistência Popular, explica que a
repressão deve intensificar agora que Porfírio Lobo tomou posse e que
os meios internacionais pararam de olhar para Honduras por considerar
que a "situação" do país está resolvida. Baquedano disse que todos os
coordenadores/as da Frente sofrem ameaças de morte, o próprio Baquedano
e seu filho já receberam diversas ligações ameaçando-os de morte. Além
disso, ele conta que os mais atingidos pela repressão são os jovens do
movimento. Há um grande número de jovens que se viram forçados a buscar
exílio em outros países como Nicarágua, El Salvador, Guatemala e até
mesmo Espanha.
Leia a matéria completa.
Entrevista com José Luis Baquedano da Frente Nacional de Resistência
Popular em Honduras - Áudio e transcrição traduzida para o português
Baquedano também fala sobre a organização da Frente e que o movimento
continuará lutando por uma assembleia nacional constituinte. Em seu
comunicado 43, a Frente declara que: "reitera a sua decisão de
desconhecer o regime de Porfírio Lobo, por considerá-lo a continuação
da ditadura imposta pela oligarquia através do golpe de Estado em 28 de
Junho. Por isso, declaramos que a Resistência não autorizou qualquer um
dos seus membros a aderir a qualquer um dos poderes do novo governo,
nem irá participar do falso diálogo que os golpistas estão propondo
para validar o Plano Nacional, que é a continuação da fracassado modelo
neoliberal e um meio de manter os privilégios da classe minoritária que
usurpou o poder."
Baquedano conta que a Frente já está encaminhando os casos de violações
de direitos humanos cometidos desde o golpe de Estado para a corte
internacional: "Neste momento nós temos mais de 40 companheiros que
foram assassinados. Assassinos que ficaram impunes. Que por mais
esforço que fizemos do ponto de vista legal, tem sido difícil que a
justiça seja feita no nosso país porque todos estão corrompidos: a
Corte Suprema de Justiça e o resto das organizações que são do Estado
estão corrompidas. Foram feitas mais de 11.000 detenções ilegais, houve
tortura, foram cometidas violações à muitas companheiras que fazem
parte da Resistência."
Brasil, EUA e Honduras
O governo brasileiro até agora vem demonstrando solidariedade ao povo
hondurenho e mantém a sua postura de não reconhecer as eleições e o
novo governo de Porfírio Lobo. Entretanto, na primeira semana de
Fevereiro, o americano Thomas Shannon assumiu o posto de embaixador dos
EUA no Brasil. E já no seu primeiro encontro com o presidente Lula
"sugeriu" que o governo brasileiro reconhecesse o novo governo de
Honduras.
Thomas Shannon é acusado pela Frente Nacional de Resistência Popular de
ter colaborado com o golpe em Honduras. Baquedano fala na entrevista ao
CMI Brasil que: "o embaixador Hugo Llorens, que está em Tegucigalpa,
coordenou a expulsão do presidente Zelaya do poder. Apoiado pelos
tristemente célebres Thomas Shannon e John DeMint, estes foram os
impulsionadores deste golpe de estado. Os EUA financiou, apoiou, armou
e treinou o exército hondurenho. Este exército que deu o golpe, este
exército que vem agredindo, reprimindo o povo hondurenho."
Thomas Shannon teve a confirmação do seu novo posto como embaixador
adiada. Um dos fatores desta demora foi a pressão feita pelo senador
republicano John DeMint, o senador disse que retiraria o bloqueio
contra a nomeação de Thomas Shannon se os EUA reconhecessem e apoiassem
as eleições em Honduras em Novembro de 2009. E não precisou muito
esforço para que o então Assistente da Secretária do Estado, Thomas
Shanon, fizesse uma declaração pública pouco antes das eleições em
Honduras dizendo que os EUA iria reconhecer as eleições mesmo se o
governo golpista não cumprisse com o acordo de retornar Zelaya ao poder
antes das eleições.
Link do artigo:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/02/464640.shtml
Mais detalhes sobre a lista de discussão www-pt