[traduzir] (espanhol/ingles) [FRANCA] O DRAMA DA IMIGRACAO: REFUGIADOS NORTE-AFRICANOS MORREM EM INCÊNDIO NAS PROXIMIDADES DE PARIS
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Segunda Outubro 10 20:00:04 PDT 2011
[FRANÇA] O DRAMA DA IMIGRAÇÃO: REFUGIADOS NORTE-AFRICANOS MORREM EM INCÊNDIO NAS PROXIMIDADES DE PARIS
Na manhã de 28 de setembro, em Pantin, cidade próxima a Paris, seis
pessoas morreram queimadas ou asfixiadas no incêndio do prédio onde
estavam refugiadas há algumas semanas com outras vinte pessoas.
Desde setembro, a Prefeitura de Paris não fornece mais hospedagem a
migrantes recém-chegados da Tunísia, Egito ou Líbia. Todos aqueles que
- graças a muita luta, e inclusive graças às várias ocupações durante
os meses de maio e junho (todas fechadas por ordem ou com o
consentimento da Prefeitura) - tinham conseguido um lugar para onde
ficar, voltaram a dormir por todos os lados, em praças, parques, sempre
perseguidos pela polícia municipal ou nacional, ou em casas ou prédios
abandonados, abundantes em Paris e na sua periferia próxima.
Continua...
Reportagem original no CMI-Paris
Saiba mais...: Especulação imobiliária como fundo do despejo de
imigrantes ilegais Sobreviventes do incêndio: a luta por
alojamento continua
Em 30 de setembro e 03 de outubro foram realizadas
manifestações de apoio aos refugiados, em frente ao local do incêndio,
em Pantin, na Travessa Roche.
Nas palavras do préfet (mais alto funcionário do Departemento de
Seine-Saint Denis, representante local do governo central), Christian
Lambert, as seis vítimas seriam "tunisianos e egípcios em situação
irregular"; Claude Guéant, ministro do Interior, declarou que os mortos
seriam vítimas de "redes criminosas, que incentivam candidatos à
imigração com a promessa de uma vida melhor, para depois deixá-los à
deriva...".
O prefeito de Pantin, Bertrand Kern, reconheceu a legitimidade da
ocupação, com palavras aparentemente solidárias: "É trágico! Esse é um
drama da pobreza humana. São migrantes recém-chegados, alguns estavam
desalojados numa praça parisiense, invadiram o imóvel para que pudessem
dormir".
Ao mesmo tempo, anunciou que tinha a intenção de evacuar o prédio em um
futuro próximo: "Íamos dar entrada na prefeitura para solicitar a sua
evacuação, mas a tragédia se antecipou." Como se o drama não existisse
antes do incêndio. Como se esse drama não tivesse outra coisa a
oferecer por aqueles que se dizem de esquerda, a não ser: "desocupar,
deter, encarcerar, expulsar, desocupar, encarcerar, deter, expulsar..."
O deputado socialista, Claude Bartolone, referiu-se a um "novo drama
relacionado à carência de leitos em alojamentos de emergência, o que
levou essas pessoas a se abrigarem em locais inadequados para dormir...
um drama da pobreza, da imigração, da falta de solidariedade da Europa
com um país que luta por mais democracia". Por trás destas palavras,
aparentemente simpáticas, se ignorarmos anos de política repressiva em
matéria de imigração e golpes sujos praticados pelo partido do senhor
Bartolone, será que podemos analisar o significado da expressão usada
por ele: "o drama da imigração"?
Sim, podemos e não existe um único drama: milhares de pessoas morrem
afogados no Mediterrâneo; milhares de pessoas são encarcerados,
perseguidos, espancados, violentados em centros de detenção de barcos,
prisões ou acampamentos, erguidos com o dinheiro e a benção da União
Européia; Muitas pessoas dormem nas ruas e são perseguidas por
policiais ou outros carniceiros e para sobreviverem tem como única
saída mendigar, roubar ou submeter-se ao apoio de entidades de
solidariedade.
Seis homens morreram, outros ficaram feridos, outros irão retornar para
as ruas. Isso não é um drama da imigração, mas um drama provocado
diretamente pela política do controle de imigração. Este não é mais um
drama da pobreza, nas palavras do senhor Bartolone, é apenas uma das
faces da pobreza.
Nas últimas semanas, em outras cidades como Montreuil e Vincennes,
vários migrantes foram expulsos de lugares que ocupavam ilegalmente.
Restam poucos. Receiam que os políticos, sempre prontos a construir
prisões e centros de detenção, mas não alojamentos, aproveitem o
incêndio para "evacuar" rapidamente locais ocupados ilegalmente. Como
de costume, eles dirão que a ação é no interesse dos próprios
ocupantes.
O que também seria dramático é, se diante tudo isso, formos incapazes
de reagir, seja por exaustão ou resignação, seja por medo da repressão,
da pobreza... ou pela ilusão de uma mudança que somente poderá
acontecer nas próximas eleições.
Link do artigo:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/498524.shtml
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