[traduzir] (espanhol/ingles) FORUM DA POPULACAO EM SITUACAO DE RUA DO DISTRITO FEDERAL DEBATE VIOLACÕES
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Terça Outubro 11 20:00:04 PDT 2011
FÓRUM DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DO DISTRITO FEDERAL DEBATE VIOLAÇÕES
Em Brasília, na próxima quinta, dia 13 de outubro, acontece o Fórum da
População em Situação de Rua do Distrito Federal, na Universidade
Nacional de Brasília. A proposta é debater as violações e a construção
de projetos e ações em defesa da população de rua.
Ainda que os números sejam raros e contraditórios, é fato que a
população em situação de rua no Brasil sofreu um aumento significativo
na última década. Esse aumento é visível e independe de pesquisas
oficiais: os dados se revelam nas mortes.
Segundo pesquisa realizada em periódicos online de diferentes regiões
do país, só no mês de setembro, 24 pessoas sem domicílio fixo foram
encontradas mortas nas ruas. No dia 06, foi encontrado o corpo de
Genivaldo Ferreira dos Santos, 32 anos, conhecido como "Gago", no
Iate Clube Alagoinha, com marcas de pedradas no corpo. No dia 08, outro
corpo, na Bahia, foi identificado. O nome do indivíduo era Márcio.
Foi localizado às margens da rodovia BA-290, que liga Teixeira Freitas
a Alcobalça. No dia 12, em Belo Horizonte 'um morador de rua foi
assassinado na esquina das ruas Ouro Preto e Timbiras, no Bairro Barro
Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.' e no dia 13, no Rio Grande
do Sul, foi identificado o corpo de Odila de Fátima Gomes Borges, 41
anos, morta por espancamento em Caxias do Sul.
Essas ocorrências não são as únicas nem as mais crueis. Segundo Jacinto
Mateus, do Movimento Nacional de População de Rua, a pior violência -
que antecede a morte física de indivíduos em situação de rua - é a
morte social.
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Para ele, essa é a violência mais grave praticada pela sociedade e pelo
Estado: sem emprego e sem moradia, essa população que se encontra
extremamente vulnerável, acaba sendo violada também em outros de seus
direitos de cidadania.
Karina, 26 anos, sem moradia fixa no Distrito Federal, perdeu a guarda
de sua filha recém-nascida há um ano. A criança foi entregue à justiça
porque a equipe do hospital entendeu que a mãe não tinha condições de
criá-la. Na época, Karina enfrentava problemas com álcool. A justiça
brasileira não ofereceu assistência psicológica ou social à família
(Karina tem um companheiro, pai da criança, com quem vive). Trabalhando
como autônomos na reciclagem, Karina e o pai da criança não conseguiram
enfrentar a decisão judicial e nunca mais viram o bebê ? sequer tiveram
notícias da criança.
Outros relatos apontam mais violações: falta de assistência médica para
pessoas que perderam ou tiveram seus documentos roubados, apreensão de
animais que puxam as carroças dos catadores de material recicláveis e a
indisponibilidade de vagas em escolas públicas mais acessíveis para
crianças que moram em ocupações próximas, são alguns dos principais
pontos abordados. "A morte começa pelo emocional", relata outro
integrante do MNPR de São Paulo. "Dizem que a esperança é a última que
morre, mas isto faz parte da 'sabedoria popular', que em minha opinião
às vezes é muito ignorante, ingênua ou desinformada - além de
analfabeta, política e socialmente falando. O indivíduo que cai na
situação/condição de rua já perdeu muitas coisas imateriais:
auto-confiança, esperança, orgulho-próprio, auto-estima, e não há
políticas públicas para intervir positivamente na vida destas pessoas
que não as abordagens feitas pelos agentes comunitários de saúde e de
atenção social". Ele acredita que essas políticas não suprem as
necessidades dessa população. Para ele, essas ações são "fruto de uma
sociedade excludente, realizadas através de um capitalismo muitas vezes
selvagem, perverso e desumano".
Outro integrante do MNPR, também de São Paulo, relata que "a população
de rua está com medo de policiais, principalmente os 'da Rota'." Ele
acrescenta que há relatos de "policiais da rota que desapareceram com
um cidadão após fazer uma abordagem e pedir os documentos e saber que
este já tinha cumprido pena". Ele foi levado e não voltou mais para o
ponto onde costumava dormir. Segundo ele, um indivíduo em situação de
rua que "morava" na região, testemunhou a ação e agora vive com medo,
fugindo dos policias.
Militando já há algum tempo, Átila alerta para a importância de se
discutir outras violações que ocorrem nos espaços de acolhida. Para
ele, os albergues deveriam ser lugares provisórios de encaminhamento
para a população vulnerável: "Os albergues deveriam apontar uma porta
de saída, mas o que se vê é que esses espaços acabam se tornando
espaços de constrangimentos e as recaídas são inevitáveis". Átila
tambem aponta pela importância de se discutir o perfil das pessoas que
se encontram sem moradia fixa: distúrbios mentais, problemas com álcool
e drogas e egressos do sistema prisional fazem parte dessa população
que ao invés de receber assistência, sofrem com a discriminação, tanto
por parte da sociedade, quanto do Estado.
Link do artigo:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/498538.shtml
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