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Quinta Outubro 20 19:00:10 PDT 2011
SANTUÁRIO DOS PAJÉS NÃO ACEITA ACORDO COM TERRACAP
Ontem, dia 18, a indígena Ivanice Tononé assinou acordo para saida da
área que ela e sua família ocupam na região do Setor Noroeste. Ivanice
Tononé, que tem processo jurídico diferenciado do Santuário dos
Pajés e conduzido pelo advogado George Peixoto (o qual há 5 anos teve
procuração caçada pelas lideranças do Santuário dos Pajés), teve seu
processo jurídico indeferido ainda em 2009, pela juiza Gildete Silva
Balieiro, o que permitiu que a TERRACAP iniciasse a venda das projeções
do Setor Noroeste. A mídia local, na época, usou o processo de Ivanice
Tononé como se este representasse todos os indígenas em questão, e como
no processo ela pediu cerca de 74 milhões de indenização, o Correio
Brasiliense e outras empresas de comunicação locais e nacionais
aproveitaram o fato para taxar todos os indígenas de oportunistas,
tentando convencer as pessoas de que eles só queriam dinheiro e não
tinham relação de vínculo cultural com a Terra.
Entretando, o processo do Santuário Sagrado dos Pajés sempre buscou o
reconhecimento e a demarcação da área como terra indígena segundo os
artigos 231 e 232 da Constituição, e segundo o decreto 1775/2006. Os
representantes legais do Santuário dos Pajés são a Associação Cultural
dos Povos Indígenas, o advogado voluntário Ariel Foina, e o Ministério
Público Federal - 6ª Câmara que entrou com Ação Civil Pública
defendendo a comunidade do Santuário. Ontem, as lideranças do Santuário
dos Pajés não compareceram a reunião na TERRACAP pois já sabiam do jogo
sujo entre FUNAI, TERRACAP e a Associação dos Dirigentes de
Empreendimentos Imobiliários do DF. O Ministério Público também se
recusou a reconhecer o acordo pois já está ciente que o processo é
diferenciado, a Ivanice Tononé e sua família tem interesse em moradia,
e não no reconhecimento da área como de ocupação tradicional, já os
Fulni-o Tapuya do Santuário dos Pajés tem relação de vículo cultural
com a terra e pedem desde 1996 o reconhecimento da área como terra
indígena.
A Associação Brasileira de Antropologia publicou nota informando que
o Laudo Antropológico "atesta de maneira clara, objetiva e consistente
que se trata de terra tradicionalmente ocupada por comunidade indígena,
cuja extensão é de, pelo menos, 50,91 hectares. Atesta que a ocupação
indígena no Santuário dos Pajés remonta a fins da década de 1950,
quando ali chegaram indígenas da etnia Fulni-ô, provenientes de Águas
Belas, Pernambuco, e iniciaram o processo de ocupação da área.
Posteriormente, a partir da década de 1970, famílias Tuxá e Fulni-ô
estabeleceram moradia permanente no lugar e ali passaram a constituir
uma comunidade multiétnica, com fortes vínculos de tradicionalidade com
a terra e participantes de uma complexa rede de relações sociais. Mais
tarde somaram-se a elas famílias Kariri Xocó." Um Processo da FUNAI no
qual constavam importantes documentos para o esclarecimento dos fatos,
inclusive procedimentos oficiais para a regularização da área, sob Nº
1.607/1996, desapareceu de dentro do próprio órgão indigenista.
Ao que parece há alguns funcionários da FUNAI que estão atuando de modo
a facilitar a vida da TERRACAP e da ADEMI. Porque o procurador geral da
FUNAI senhor, Antônio Marcos Guerreiro Salmeirão, nunca atuou de modo
favorável ao processo jurídico da comunidade Fulni-o Tapuya do
Santuário dos Pajés, e junto com outro funcionário da FUNAI o senhor
Aluísio Azanha sempre atuaram de forma a convencer os indígenas de que
eles não teriam o direito de permanecer na área? É esse o papel da
FUNAI senhor presidente Márcio Meira, e senhora Presidenta Dilma
Rouseff? Porque recorridamente o Departamento de Assuntos Fundiários e
da FUNAI sempre deslegitimou todos os laudos antropológicos que
atestavam a tradicionalidade da ocupação dos Funil-ô Tapuya, e agora
querem deslegitimar último Laudo Antropológico que apresenta
detalhadamente a tradicionalidade da ocupação, segundo a legislação
brasileira e segundo procedimentos técnicos e científicos respaldados
pela Associação Brasileira de Antropologia. Quem entende mais sobre
Cultura Indígena e Tradicionalidade de Ocupação, os antropólogos, ou os
DAS(cargos de confiança) da FUNAI?
Diante dessas questões, o Santuário dos Pajés afirma que não fará
acordo nenhum, que não sairá de sua terra sagrada, e convoca a todas as
pessoas que querem defender o Cerrado e o direito a Diversidade
Cultural e Étnica a se unirem e reforçarem a resistência na área dos 50
hectáres que está em processo de demarcação. Se o Estado se omite resta
a população usar de seu direito constitucional de Ação Direta. Todo
poder emana do Povo!!!
Santuário Sagrado dos Pajés Não se Move!!!!
Decisão da Juiza Clara Mota Que Impede As Obras Na Área do Santuário
Até O Dia 27 de Outubro
Vídeo do Coronel Charles Magalhães,de férias, Covardemente Agredindo
Cinegrafista no dia 14 de Outubro
Saiba Mais:Vídeo de Indígena Sendo
Agredido Por Capangas a Paisana e Empresa Snake de Segurança Privada
FUNAI
Está Atrasando a Entrega do Laudo Antropológico do Santuário dos Pajés
à Justiça Federal Ação Civil Pública de
2009 que pede a proteção dos 50 hectares até a definitiva demarcação
Sagrada Terra Especulada é boicotado no Festival de Brasilia
Página do Filme
Santuário dos Pajés atacado por Emplavi e Brasal com escolta da PM
e Terracap Nota da Comunidade Indígena Tapuya da Terra Indígena
Santuário dos Pajés sobre a ação do GDF e TERRACAP no Santuário dos
Pajés A construção
do bairro Setor Noroeste feita pelo Correio Braziliense (monografia)
Wiki do Santuário
Link do artigo:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/498965.shtml
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