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Quinta Março 15 20:00:03 PDT 2012


  [CHIAPAS] PELA LIBERDADE DO PROFESSOR ALBERTO PATISHTÁN
  
  As organizações nacionais e internacionais, grupos, coletivos e pessoas
  assinantes, nos unimos à digna luta que mantém o Professor Alberto
  Patishtán Gómez e exigimos sua liberdade imediata.
  Preso desde 19 de junho de 2000, acusado de ter sido co-autor de uma
  emboscada que terminou com a morte de sete dos nove policiais que
  faziam uma patrulha no município de El Bosque, no estado de Chiapas -
  México. Entretanto, segundo o pronunciamento das organizações em
  solidariedade ao professor, "no contexto da sua prisão, Patishtán
  participava ativamente na vida política do seu município, denunciando a
  corrupção da câmara municipal, solicitando a destituição do prefeito e
  a criação de um Conselho Municipal".
  
  Libertad a Alberto Patishtán
  Libertad a Alberto Patishtán
  
  A história de Patishtán antes de ser preso
  No momento da sua detenção, Patishtán era professor bilíngue federal,
  afiliado ao Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE)
  Seção 7. Desempenhou seus serviços como educador durante 5 aos, foi
  diretor do Albergue Escolar "Nicolás Bravo" na comunidade de "El
  Azufre", município de Huitiupán, e também foi diretor de outro Albergue
  Escolar na cabeceira do mesmo município, da zona escolar 204, região de
  Bochil. Estudou Ciências Sociais, já como professor, na Universidade
  Valle Del Grijalva até o 6º semestre.
  A situação vivida pelos moradores de El Bosque desde o levantamento
  zapatista em 1994
  O município de El bosque se encontra numa zona do estado intitulada de
  "Los Altos de Chiapas", faz fronteiras com municípios como Bochil,
  Simojovel, Larráinzar, Chalchihuitñan. Nos anos 80, aconteceram
  diversas ocupações (ou recuperações, como dizem) de fazendas que em
  diversos casos foram legalizados como ejidos a favor dos indígenas,
  camponeses pobres e trabalhadores das próprias fazendas e de lugares
  próximos. Também foi zona e lugar de violências e sangue, como a
  ocupação de terras e repressões orquestrada pelos governadores Absalón
  Castellanos 83-88 e Patrocinio González Garrido.
  Depois do levantamento zapatista em janeiro de 1994, houve eleições
  para governador, no entanto, houve fraude e o candidato Priista (do
  Partido Revolucionário Institucional) levou o pleito, mas o verdadeiro
  ganhador tinha sido o don Amado Avendaño. No ano seguinte houve novas
  eleições para prefeito, e novamente houve fraude no processo eleitoral.
  Como resposta a este cenário, o EZLN (Exército Zapatista de Liberação
  Nacional) lançou-se num processo de criação de Municípios Autônomos em
  rebeldia. Deste modo, em dezembro de 1995, no final do mandato
  municipal, o prefeito de El Bosque entregou a prefeitura aquele que foi
  elegido pela maioria da população segundo seus usos e costumes.
  No entanto, o candidato "oficial" que foi eleito, tentou tomar posse da
  prefeitura, tentativa sem êxito, pois houve protestos em frente ao
  palácio municipal. A partir deste momento, há duas autoridades
  paralelas, uma oficial e outra segundo os usos e costumes da maioria
  esmagadora da população. No ano seguinte, 1996, houve um acordo de não
  agressão entre ambas as partes, as diferenças foram resolvidas com
  encontros e acordos.
  Em 1997, começou um movimento por parte do governo federal para
  "desarticular" a influência do EZLN nas comunidades chiapanecas, as
  inversões do Governo Federal se deram de diversos modos, tanto através
  do seu próprio exército (como foi o caso do município de El Bosque,
  como também utilizou da força dos paramilitares da região (pessoas
  civis que são pagas pelo governo para assassinar, coagir, intimidar as
  populações em luta), o caso mais famoso foi o de Acteal - município de
  Chinalhó - no qual os paramilitares mataram 45 pessoas dentro de uma
  igreja (entre os mortos havia mulheres, crianças, recém-nascidos,
  idosos e homens).
  No caso do município de El Bosque, no dia 6 de fevereiro de 1997, 50
  homens do exército mexicano tomaram à força a prefeitura municipal,
  este foi o primeiro ataque ao município. Nesta mesma operação, outros
  municípios autônomos da mesma região foram desmantelados e
  militarizados, como foi o caso dos seguintes municípios: Ricardo Flores
  Magón, Tierra y Libertad, San Juan de la Libertad e o constitucional
  Nicolás Ruiz.
  No dia 10 de junho de 1998, às 6:30 da manhã, chegaram a Chavajeval
  (município de El Bosque/San Juan de la Libertad) cerca de três mil e
  quinhentos homens de distintas corporações policiais e do exército
  mexicano, tomaram o povoado e prenderam homens e mulheres, bateram,
  roubaram, devastaram e perseguiram aqueles que tentaram fugir, a
  perseguição inclusive aconteceu com um helicóptero, o tiroteio terminou
  às 15 horas. Ao final, não sobrou nenhuma evidência, segundo relatos,
  "eles levaram tudo, até os mortos". Tudo foi limpado, levaram os cascos
  das balas e até limparam os sinais dos disparos. Dizem que houve sete
  mortos zapatistas, dois policiais e um priista.
  A prisão do professor Alberto Patishtán
  Em junho de 2000, a tensão da polícia estava na ideia de que os grupos
  civis armados (paramilitares) queriam tomar a prefeitura do município
  de El Bosque e/ou o município de Simojovel, sendo que a polícia
  comunicou aos prefeitos e realizavam constantemente patrulhas nesta
  zona. No dia 12 de junho, pessoas armadas fizeram uma emboscada na
  estrada perto de Las Limas, uma patrulha que levava 9 pessoas, sendo
  que sete perderam a vida e duas ficaram feridas, um elemento da PSP e o
  filho do prefeito de El Bosque que conduzia o veículo.
  Segundo a Procuradoria Geral da justiça, um policial antes de desmaiar
  disse ter visto um homem vestido de civil e encapuzado. O filho do
  prefeito perdeu o sentido pelos disparos, mas no hospital ele assinou
  (ou falsificaram a sua assinatura) um papel acusando o Professor
  Patishtán e a Salvador Gonzalez.
  No entanto, nos fatos que ocorreram dia 12 de junho, o professor
  Alberto estava participando de uma reunião oficial conduzida pelo
  surpevisor da zona 204 (do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da
  Educação - SNTE), o oficio da reunião e as listas de presença, assim
  como o testemunho dos seus companheiros professores na reunião,
  demonstram a falsidade da acusação e a injustiça da sua prisão.
  No dia 19 de junho de 2000, sete dias depois da emboscada, quando ia
  para seu trabalhão, quatro homens vestido de civil desceram de uma
  caminhonete e o levaram sem dizer nada ou mostrar a ordem de prisão.
  Depois de 11 anos, o professor segue sua luta, a partir do interior da
  prisão, trabalhando pelo respeito aos direitos humanos no sistema
  penitenciário de Chiapas. Como castigo à luta pela liberdade, e por
  defender os direitos humanos, Patishtán foi transferido no dia 20 de
  outubro de 2011, enquanto se encontrava em greve de fome com os
  "Solidários da Voz de Amate", ao Centro Federal de Readaptação Social
  em Sinaloa - México -, aonde se encontra atualmente.
  O governo do estado de Chiapas sempre negou que tenha solicitado essa
  transferência, no entanto, no expediente de amparo, oficio no qual o
  Secretário Geral do Governo de Chiapas, Noé Castañón León, solicitou a
  transferência "ao complexo penitenciário 'Isla Marías' ou a outro
  centro penitenciário fora do estado de Chiapas", demonstrando
  claramente a intenção de afastá-lo da digna luta pela sua liberdade.
  Foi apresentado no pronunciamento de ontem documentos que revelam que o
  Sr. Noé Castañón León realmente requisitou a transferência do professor
  a outro presídio enquanto ele estava em greve de fome.
  No dia 29 de fevereiro de 2012, o juiz Quinto do Distrito de Vigésimo
  Circuito na cidade de Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, resolveu ordenar o
  regresso do professor Alberto Patishtán ao Centro Estatal de Reinserção
  Social dos Sentenciados nº5, com sede em San Cristóbal de Las Casas,
  Chiapas, no qual se encontrava anteriormente, em restituição de seus
  direitos humanos violados.
  Pela sua ação política antes da sua detenção e pelo seu trabalho de
  defesa dos direitos humanos desde o interior da prisão, o Professor
  Alberto Patishtán é um preso político, pelo qual as organizações
  nacionais e internacionais, grupos, coletivos, exigimos ao Governo
  Mexicano a sua liberação imediata.
  A maioria das informações contidas neste artigo foi tirada do blog do
  foi lançado no dia 12 de março de 2012, em San Cristóbal de las Casas,
  pelas organizações de direitos humanos e coletivos (nacionais e
  internacionais) que apoiam a luta do professor Alberto Patishtán e
  exigem a sua liberação imediata.
  Você também pode conferir o comunicado do Coletivo IK denunciando as
  mazelas nas quais vive o professor, assim como as torturas sofrida por
  ele ( 
  fe-Prensa-sobre-caso-Alberto-Patishtan)
  Fonte: 
  icle&id=25207:chiapas-mexico-pela-liberdade-do-professor-alberto-patish
  tan&catid=242:repressom-e-direitos-humanos&Itemid=156
  Pronunciamento em apoio à digna luta do Professor Alberto Patishtán:
  
  Link do artigo:
  http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/03/505020.shtml


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